sábado, 2 de janeiro de 2010
Passagem (2)
No momento (que momento é esse?) do ano novo, o céu se abriu, as nuvens deram espaço à Lua amazônica e um céu brilhante, explosivo e vivo. A Lua é a mesma, por toda parte, e nela, como por uma triangulação galileica, estava junto de quem eu estava só. Momento de apaziguar a saudade enorme, que viajou livremente por anos e quilômetros.
Ao mesmo tempo, sozinho de quem estava junto, tornei-me próximo. Um padre-nosso, um ave a Maria. E reconheceram-me, abraçamo-nos, demos as mãos. Um brinde pelo novo ano com aluá, bebida fermentada de abacaxi cozido.
Entre as mulheres e seus homens e suas crianças do alto Rio Negro, de São Gabriel, da Cabeça-do-Cachorro, comemoramos a entrada do ano. Eu, o paulista, e cada um deles, tukanos, dessanos, tatunos, taiucos.
sábado, 19 de dezembro de 2009
E é por isso que os homens morrem: Feira do Livro

terça-feira, 15 de dezembro de 2009
Anos
para um espaço de idade certa?
Nossos vinte anos, vinte e um, vinte e dois...
Para que celebrar outros anos?
Como um índio guayaki (um índio mandan, um guaykuru...): não comemorar a passagem.
Marcá-la a seixos dilacerantes, inscrever no corpo
(e não no espaço, no papel)
sem risco de esquecimento, mantendo um silêncio importante.
terça-feira, 24 de novembro de 2009
Imprençinha: Chico de Oliveira no Estadão
A matéria a seguir saiu n'O Estado de São Paulo, em 23 de novembro de 2009. No caderno .EDU do jornal.
O nosso velho conhecido, Chico de Oliveira, sociólogo, foi perguntado: "O que você queria saber aos 21?"
A resposta, vocês conferem abaixo. (Cliquem na imagem para ver em tamanho maior.)

Na nossa imprençinha, "queria ter estudado mais Marx" vira "queria ter estudado mais".
A imprençinha está aqui: O Estado de São Paulo, 24/11/09, caderno .edu, p. 4.
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
Explosão
E que, jogando mal que seja, o Ortigozza meta um golaço chorado de carrinho, pra ganhar, afundar o outro time e gritar na cara dos donos do poder.
E então tudo estará no seu devido não-lugar, sem resultados arranjados, sem títulos programados. Os malditos darão com o burro n'água e que os sacos de cimento roubado lhes caiam na cabeça. Que exploda tudo, pra depois restar só mesmo o futebol.
terça-feira, 3 de novembro de 2009
E por que é mesmo que os homens morrem?
Lévi-Strauss virou estrutura.
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
Passagem
É nosso ritual - doloroso! - de purificação.
Vocês se lembram daquele momento, talvez o mais perigoso, o mais delicado de nossa vida. O momento em que surgimos e nos erguemos imponentes. Era 1942: morria o Palestra, tomado por oportunistas como símbolo da nação inimiga. Morria o brasileiríssimo Palestra, líder, sempre líder. De cinzas esverdeadas que nem chegaram a cair, formou-se o Palmeiras. Em um único jogo, a redenção. Nascemos e renascemos campeões. Somos o Palestra Itália, somos o Palmeiras. Morremos líderes para nascermos campeões.
Essa é nossa sina.
Estamos morrendo, perdemos hoje, perdemos domingo. Não é fácil, nunca será, toda morte é dolorosa.
Estamos morrendo líderes.
Estamos morrendo líderes e no fundo sabemos, sempre soubemos, o que virá.
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
BZZZZZZ
Mas me baixou um Álvares de Azevedo misturado com Laerte e eu curti pra caramba.
Dead Flies Art (15 pics)
domingo, 4 de outubro de 2009
Se Murió La Negra
A todos...
Somos los nietos, los hermanos, los sobrinos, el hijo de quien fue para nosotros algo más y distinto que una gran artista popular. Con ella compartimos la vida, las alegrías y las angustias privadas. Porque esa gran artista fue además nuestra abuela, nuestra hermana, nuestra tía, nuestra mamá. Es por eso que queremos llegar a ustedes desde ese lugar íntimo, lejos de la severidad y la dureza de los comunicados oficiales: porque sabemos que también la quisieron y la siguen queriendo aún mucho más allá de la cantante y de la artista que los acompañó tantas veces, a la que han hecho parte de su familia aún sin tener lazos de sangre.
Es desde este lugar que queremos contarles que Mercedes -la mamá, la tía, la abuela, la hermana-abandonó este mundo el día de hoy. Pero también queremos decirles que estuvo siempre acompañada-inclusive cuando ya no podía saberlo- por un desfile interminable de amigos y artistas populares, y en cada uno de ellos: Ustedes. Y que a pesar de lo triste de cualquier agonía, pasó esos últimos momentos en paz, peleando aguerridamente contra una muerte que terminó ganándole la pulseada.
Por cierto estamos conmovidos y queremos compartir con ustedes esta tristeza. Aunque, al mismo tiempo, nos queda la tranquilidad de que todos hicieron lo posible- incluida nuestra Negra- para quedarse un ratito más entre nosotros.
Lo que más feliz la hacía a Mercedes era cantar. Y seguramente ella hubiera querido cantarles también en este final. De modo que así queremos recordarla y así los invitamos a hacerlo con nosotros.
Infinitas gracias por ese acompañamiento que jamás dejó de estar presente.
Familia de Mercedes
E vai ainda, por aqui, um das músicas que me marcaram desde sempre e me faz ouvir de olhos fechados ainda hoje e sempre.
Volver a Los 17 - Mercedes Sosa e Milton Nascimento
sábado, 3 de outubro de 2009
Rio 2016
Umas coisas:
1 - É maravilhoso ter Copa e Olimpíada por aqui. Maravilhoso.
2 - As críticas são muito válidas e cabe a nós decidir que Copa e que Olímpiadas teremos. Vai ser difícil escapar da elitização do evento, da "higienização social" que vai ser promovida. A nossa tarefa é lutar contra isso, sabendo que será batalha perdida.
3 - Chupem, barões do café. Essa locomotiva do Brasil anda pra trás e cheira a merda. Chupem Kassabs, Malufs, Serras, Juvenais, Dualibs e Mustafás.
4 - É preciso pensar, imediatamente, como fazer a Copa e os Jogos Olímpicos de uma forma que promova educação e saúde, fugindo é claro, das noções de educação e saúde da elite estúpida, representada pelos imprestáveis Teixeira e Nuzman.
5 - A crítica pela esquerda é que futebol (e esporte em geral) aliena. Eu acho que, enquanto acontecem os jogos, pode até ser; criam um mundo de exageros e de representações, em nada condenáveis moralmente. E, pelo contrário, é mais uma chance de politizar, na contra corrente do ufanismo que será proposto pela mídia e pelos barões.
quinta-feira, 1 de outubro de 2009
Há blogs
Tem aqueles que se acham sérios demais e aqueles que se acham gozados demais. Raramente qualquer um deles é simplesmente despretensioso.
Bom, aqui eu não quero me meter a falar o que não devo: não pretendo me contrapor de forma alguma à brilhante, porém ainda incompleta, seção O Maravilhoso Mundo dos Blogs, do blog A Latrina.
O negócio é que esse tal de Utak fez um blog e... ele fala por si só:
"Pra quem não me conhece, sou Utak, do blog Heaven's Door e últimamente tenho sentido vontade de postar "besteiras" na internet, essas coisas estilo o Peçanha, ou o Yuri."Pois lá no Maravilhoso Mundo nos Blogs a gente encontra respostas a altura. Então nem vou me preocupar.
Daqui.
E, afinal, esse novo blog bobo pelo menos fez eu conhecer a Onda do Google (não entendi bem, mas parece que vai ser uma coletânea de canções tipo "O barquinho vai, a tardinha cai...", "Agora eu já sei da onda que se ergueu no mar" e "Onda onda, olha a onda!")
Somos los nietos, los hermanos, los sobrinos, el hijo de quien fue para nosotros algo más y distinto que una gran artista popular. Con ella compartimos la vida, las alegrías y las angustias privadas. Porque esa gran artista fue además nuestra abuela, nuestra hermana, nuestra tía, nuestra mamá. Es por eso que queremos llegar a ustedes desde ese lugar íntimo, lejos de la severidad y la dureza de los comunicados oficiales: porque sabemos que también la quisieron y la siguen queriendo aún mucho más allá de la cantante y de la artista que los acompañó tantas veces, a la que han hecho parte de su familia aún sin tener lazos de sangre.
