sábado, 26 de novembro de 2005

Compor

Compor uma música cheia de bolinhas e tracinhos que por algum motivo obscuro ou por qualquer capricho divino dos Homens tem um significado e pode ser tocado em uma ampla variedade de instrumentos que produzem vibrações sonoras de formas tão variadas quanto.
ouapenasescreveroquemedernatelha
Sabe?
Velha, eu quero te beijar - mas ao mesmo tempo, quero erguer minha perna e te dar um coice.
Ai! minha perna.
ouapenasescreveroquedernatelha
Acho, na verdade, que aquilo que eu escrevo assim não parece tão importante. Ao menos. Não sou.

Vomitar de dia.
(Talvez apenas à noite, quando estiver com sono.)

Dora rainha do frevo e do maracatu


D!ora!
Oh! Dora!
a g o r a.

[-post abortado-]

[-trecho de e-mail - inserido em 30/12/2005, às 22h07]

(...) eu paro dois compassos antes do fim. Ninguém percebe. Eu guardo meu violino. Eu acho que ninguém faz arte só para si mesmo. No ensaio de ontem, Mali, você tinha que ver um coro infantil que foi cantar com a gente pela primeira vez. Que fofos! Eles tinham uma voz fina e depois de uma música, ficaram cansados e sentaram. Eles ficavam olhando para nós maravilhados. Coloca o dedo no tatuzinho, ele se enrola. Mais ou menos isso. Foi assim que eu resolvi tocar violino. Liguei na TV Cultura. Alguma orquestra. Um close no violino. Mãe, eu quero tocar isso aí.Será que alguma daquelas crinças olharam e falaram, mãe, eu quero tocar flauta, eu quero tocar, violino, eu quero tocar aquela coisa grande! Talvez. Tinha um molequinho de olho azul. Um outro neguinho, cabelo curto. Uma menina gorda e uma outra que tinha muita vergonha.Tocamos uma peça chamada Ricercari, extremamente difícil, mas muito bela e intensa. Cinco minutos de atenção total, tempos contados e marcados pelo regente, desritmia com todos os outros naipes. Termina com uma nota sol bem grave, corda solta. O arco vai para baixo uma vez e sobe cada vez mais intensamente até que o regente fecha a mão e todos os arcos se desligam das cordas e elas passam a vibras quase ontologicamente; os arcos vão para cima num êxtase inexplicável.

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