terça-feira, 1 de novembro de 2005

Impublicável - não leia

Por que eu não desisto logo, de uma vez por todas
de uma vez por todas
por que diabos eu não desisto agora, neste exato instante de qualquer coisa
de ser fiel aos meus princípios,
de ter princípios,
de tocar violino.
Afinal, por que diabos eu não páro de tocar violino, se eu não consigo, e agora virão todos e dirão, não... você toca bem e tudo isso. Mas eu não estou a fim. Não senti prazer algum tocando ontem à noite. Nenum. Estava preocupado demais. Não consegui. Não senti prazer e não consegui tocar. Como eu vou me mostrar assim?
Por que eu não desisto de tudo mesmo.
Não consigo fazer nada.
Nada como eu esperava.
Como eu achava que podia.
Ou uma coisa ou outra.
Agora nenhuma.
Não quero mais nada.
No entanto, vou jantar correndo e vou ensaiar. Preciso ensaiar. A orquestra por algum motivo obscuro depende de mim. Mentira.
Mas eu vou. Não vou poder tocar junto à orquestra, prque terei que tocar em oputro lugar, muito pior. Um lugar onde eu não gosto de estar. Não importa quantos prêmios lindos eu ganhe. Não gosto, não quero, não sinto prazer.

Estou cansado.

E vou, de qualquer forma, ao ensaio de amanhã. Ensaio de teatro. Que até me dá um pouco de prazer, mas não dá certo. Que diabos fazer um velhaco ridículo.
Por que eu não desisto das aulas à tarde? Por que eu não deixo de lado minhas responsabilidades quaisquer que forem elas?

Por que eu não abro uma janela
para a moral arejar??
(ou finalmente reconheço que faço isso mais freqüentemente do que imagino)

Deve ser mais fácil. Deve ser bem melhor. Aí eu desisto de tudo logo. Não desço no ponto certo. Vou de ônibus até o metrô. De metrô até a rodoviária, pego qualquer ônibus e esqueço de mim mesmo perdido no meio de qualquer coisa.
Ou saio de casa e sento no meio da rua e me coço feito um cachorro. É muito mais fácil ser um cachorro. Ética é coisa de filósofo, um grande sábio dizia.

Vai ver o Brás estava certo.
Por que responsabilidade?

Se cada um de nós é superior a todos os outros?

Um comentário:

  1. Por quê, não é?
    Não vá tocar, então. Não vá tocar, entào, vá para a orquestra.
    Suas prioridades são problema seu, só seu.

    ResponderExcluir