sábado, 6 de dezembro de 2008

O Palestra Itália

Amanhã, Palmeiras e Botafogo no Parque Antarctica.

É possível que seja o último jogo no Palestra, que dará lugar a um novo estádio, maior e mais moderno.

E amanhã vou sentir a mesma emoção da primeira vez que fui ao Palestra. Muito diferente de todos os outros estádios que já fui. A entrada da Turiassú é incrível. A rua é tomada de verde, camisas, bandeiras, barracas de sanduíche de pernil. Pela Matarazzo, é como uma entrada dos fundos, passando pelas quadras de tênis. As ruas do bairro são todas verdes e os ônibus daquela região, também.

Mas o mais emocionante é entrar.

O campo é elevado - os jardins suspensos do Palestra Itália. Quando entramos, olhamos para cima e vemos o céu azul, a arquibancada verde. Se você fechar os olhos, pode perceber claramente o ar vibrando, e o grito de cada um dos milhares de torcedores. Ao contrário do ascetismo globo-high-definition, é possível perceber o peso do ar, a textura do chão. Ali é possível superar o dualismo paixão-terror propagado pela mídia.

Agora... quando se sobe as escadas e se olha para o campo, é uma enxurrada de luz e verde e cal que nos vem, e, de repente, o plano elevado em verde e branco (o campo de jogo) mostra-se infinito e, num estalo, é no espaço sem fim que me encontro. A plenitude, afinal.

A entrada dos jogadores e da bola: é gente que povoa o espaço infinito (apesar de demarcado). E humanos e deuses, planos e espaços, regras e sonhos se misturam.

E, quando estou ali, perto da bandeira do escanteio, vejo a bola. E ela não é mercurial, perfeita, lisa. Vejo a bola em seus gomos e vejo seu formato irregular e vejo o capotão. E me vejo arrastado debaixo de um carro pra buscar a bola. A grama é grama e é asfalto e, dali daquele momento no espaço-tempo, sinto os joelhos esfolados, os jogos na vila, os postes que eram traves, as pinturas no asfalto, as copas do mundo, minha prima, minha avó, meu pai e minha mãe. Tudo na bola. Reparou? Citando Wisnik, é ali na bola que a gente sente "o peso e opacidade imemorial do capotão, a sempre mesma pelota - uma bola que é uma bola, que é uma bola".

3 comentários:

  1. Que absurdo!
    mais nada a dizer.
    (só pra manter o clichê)

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  2. Por que será que a Lê não gostou?
    Beijão, le, vamos no estádio um dia desses.

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