segunda-feira, 16 de março de 2009

Depois do encontro - anexo

Por exemplo, em uma carta escrita às 4 da madrugada há quase 89 anos, em um 19 de março:

"(...) Estou inteiramente só - pode dizer-se; pois aqui a gente da casa, que realmente me tem tratado muito bem, é em todo o caso de cerimônia, e só me vem trazer caldo, leite ou qualquer remédio durante o dia; não me faz, nem era de esperar, companhia nenhuma. E então a esta hora da noite parece-me que estou num deserto; estou com sede e não tenho quem me dê qualquer cousa a tomaar; estou meio doido com o isolamento em que me sinto e nem tenho quem ao menos vele um pouco aqui enquanto eu tentasse dormir.

Estou cheio de frio, vou estender-me na cama para fingir que repouso. Não sei quando te mandarei esta carta ou se acrescentarei ainda mais alguma cousa.

Ai, meu amor, meu Bébé, minha bonequinha, quem te tivesse aqui! Muitos, muitos, muitos, muitos, muitos beijos do teu, sempre teu

Fernando"

In: Pessoa, Fernando. Quando fui outro.  Rio de Janeiro: Objetiva, 2006. p. 132
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2 comentários:

  1. Esse autor as vezes me da um pouco de medo, sabe....


    Este é o terceiro post esse ano que dá fonte à um post meu. O primero foi o do Bruno, o segundo da Marina, o terceiro, teu, com complementação pelo do Bruno, claro. Meu comentários está no meu blog. www.hddor.blogspot.com

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  2. Para quem visitar aqui, o endereço do blog comentado acima é hdoor.blogspot.com


    E, neste 21 de março, a carta fez 89 anos e dois dias.

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