sexta-feira, 24 de abril de 2009

Problema da memória

Na verdade eu consigo entender.

Se me perco a cada instante, sigo eu porque me transformo em memória o tempo inteiro.
E entendo isso ser um desrespeito com todos os presentes que vivi até então.

Tem o que fazer ou não dá mesmo pra respeitar?




E agora o meu fascínio pelas coisas me leva a dizer que essa visão que prioriza o momento é uma bobagem, já que o real está na travessia, na passagem. O momento é só idéia.
Então, na verdade, eu não consigo entender. Fiz papel de trouxa pra mim mesmo...

3 comentários:

  1. yuri, eu não entendo os seus posts filosóficos.
    eu já reli umas 4 vezes e não fez sentido.
    me explica?

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  2. Ah, a vida não são vários presentes. A vida é feita de um presente, um futuro e um passado. Esse presente é o que importa. Que fazer com ele? que fazer com o futuro? As memórias do passado, que fazer com elas? De que elas importam?

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  3. Eu vou me distanciando lentamente de mim (como me vejo) e de vez enquando preciso me retomar. É tipo um update. Aliás essa talvez seja a única importância do passado: a noção de si (e do resto). O presente é meio que o indefinido, aquele instante em que você se pergunta o que diabos você está fazendo esperando na fila do médico se na verdade tudo pode ser nada, você pode ser um caracol no próximo instante, as pessoas podem ser sua imaginação, podem ser robôs, podem ser qualquer coisa, e você pode não ter nenhuma semelhança com elas, porque você se vê através dos seus olhos e as vê de frente através do mundo, do ar, do vidro. Então, você se mantém distraído dessas estranhas possibilidades, fingindo que tudo é assim mesmo e que a realidade é o que é e não o que pode ser, você faz isso mantendo as suas noções baseadas no passado e não no presente, porque o presente, fora do passado, é a sensação do absurdo. O futuro é o que realmente importa (o futuro, claramente, também é sempre futuro do pretérito, porque o presente não tem futuro, o presente é e ponto, o presente é absoluto e o futuro é relativo ao passado, e quando algo acontece o futuro é congelado e quando algo vira memória o futuro é atualizado), porque é só no futuro que poderemos ser de qualquer maneira produtiva. Então... a grande questão é o que é o EU de verdade. Alguns diriam que é o conceito de eu, ou seja, o passado. Outros diriam que é o ideal de eu, ou seja, o futuro. E alguns falariam de essência e aí teríamos que resolver aquele problema complexo do presente.

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