sexta-feira, 17 de julho de 2009

Como é(ra) difícil estudar

http://www.orkut.com.br/Main#CommMsgs.aspx?cmm=219299&tid=7194327&na=4

Do orkut, de um tópico de 4 anos atrás, veio a inspiração para uma resposta mais madura, creio eu.

Quando eu estava naquele colégio, reclamávamos de tudo. Ainda suspeito que com razão. Foi daí que surgia, por exemplo, algumas idéias e alguns causos:

  • Revista Cacas
  • Um trabalho sobre drogas em que levamos uma seringa - sem agulha - que foi quebrada em um chilique da direção.
  • Um trabalho sobre doenças sexualmente transmissíveis, em que as camisinhas que levamos foram proibidas de serem distribuidas.
  • Trabalhos e trabalhos que escapavam ao convencional: fizemos gravações e piadas e apresentações que por fim foram respeitadas (ingenuamente?) pelos professores e orientadores.
  • Aula de arte com professora libertária e questionadora.
  • Gravação de documentário sobre o nosso dia a dia, à revelia da diretoria.
Fizemos muito. E aposto que ainda se faz.

De qualquer forma, segue o texto em resposta ao comentário daquele tópico.

"Bruno, acredito que não se trata de comodismo, pelo menos não com a carga de julgamento que é colocada.

As questões pelas quais a gente luta em relação ao ensino público superior e às políticas educacionais, econômicas, sociais do governo são, de fato, mais relevantes que a briga com a direção de uma escola. São, sem dúvida, mais abrangentes, mais maduras, mais propositivas.

Mas a briga que temos (e tínhamos) com a direção do Discere, por exemplo, eram, na verdade, pelos mesmos motivos, em menor escala. A discussão sobre o papel da educação, sobre hierarquia, sobre autoritarismo e arbitrariedades está presente em todas essas esferas. Quanto não nos sentimos vítimas de arbitrariedades e de inconsistências no Discere?

Claro que a forma encontrada na maior parte dos casos é o xingamento gratuito e sem objetivo, como o deste tópico, mas isso é reflexo da imaturidade (aceitável) dos alunos e, acho que principalmente, da falta de espaço que era dada para questões e críticas mais profundas. A direção da escola deve saber ouvir as incongruências e gratuidades dos alunos de forma pedagógica. Tudo bem os alunos de 14, 15, 16 anos terem atitudes intempestivas e impensadas, mas é inadmissível que a direção também tenha atitudes de arrogância e imaturidade como muitas vezes víamos.

Eu ouvi várias vezes reclamações de professores mais questionadores, brigas públicas, cortes visíveis...

Agora retomando o ponto do Bruno: talvez fosses mesmo o maior problema a coordenação, a diretoria da escola, mas isso não é resultado de comodismo puro e simples - e irremediável. Temos que criticar o comodismo e outros vícios de alunos assim, mas isso não quer dizer que devemos deslegitimar suas reclamações.

O amigo aí de cima, com raiva - provavelmente justa - não foi capaz de fazer uma crítica elaborada, xingou a diretora. Atitude lamentável e que não leva a nenhuma mudança, apenas a recrudescimento das relações e a ser mal visto pelos outros, nós, por exemplo. Mas, por trás da raiva, há motivos, não tenho dúvidas. E, provavelmente, bons motivos. Não devemos cortá-lo, mas criticar essa atitude (infantil, claro, mas quem nós também xingamos o Serra) e cobrar que críticas mais elaboradas sejam feitas.

Vocês que tem muito o que xingar:

Quais são os problemas? O que pode e o que não pode fazer na escola? O que deveria poder, por quê? Falta liberdade, falta qualidade? Os professores, a diretoria é mal preparada? São essas questões que devem ser feitas. Por mais dificuldades que se tenha em fazê-las, são importantíssimas, porque vão cobrar mudanças. Ou a afirmação de um sistema com o qual a maioria não concorda.

Isso quer dizer o quê? O que se ensina e mais: COMO se ensina é uma escolha. Política. Serve a determinados objetivos e visa um caminho de vida para os alunos que está longe de ser o único possível. É preciso criticar (por menor que seja a disponibilidade deles ouvirem).

Abraços

Yuri"

Um comentário:

  1. Muito bão, Yuri.

    Não tenho dúvida de que, mesmo que inconscientemente (até certo ponto) da nossa parte, a Cacas, o documentário, os trabalhos (lembra de um polêmico trabalho que apresentamos sobre as drogas na aula de 'Ética e Cidadania', hehe?)entre outros causos 'discereanos' cumpriram um papel contestador e, em termos de formação crítica, nos serviram bastante de aprendizado..

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