domingo, 2 de agosto de 2009

Quietude

Um silêncio para nos roubar a vida. Um silêncio pesado e tranqüilo...

"A tremura subia, deixava a barriga e chegava ao peito de Baleia. Do peito para trás era tudo insensibilidade e esquecimento. Mas o resto do corpo se arrepiava, espinhos de mandacaru penetravam na carne meio comida pela doença.

Baleia encostava a cabecinha fatigada na pedra. A pedra estava fria, certamente Sinha Vitória tinha deixado o fogo apagar-se muito cedo.

Baleia queria dormir. Acordaria feliz, num mundo cheio de preás. E lamberia as mãos de Fabiano, um Fabiano enorme. As crianças se espojariam com ela, rolariam com ela num pátio enorme, num chiqueiro enorme. O mundo ficaria todo cheio de preás, gordos, enormes."

RAMOS, Graciliano. Vidas Secas. 37a edição, Rio de Janeiro, Ed. Record. 1977. pp 96-7

2 comentários:

  1. Foi mais ou menos essa a sensação que tive ao terminar de ver "o magnata". Roteiro do chorão, protagonizado por paulinho vilela.
    ele também morre no final...

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  2. e os nossosvinteanos SEM RAÚL...

    salve

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