quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

O Sonho

Há duas semanas sonhei que minha cidade era bombardeada.


Com o barulho das explosões acordei e, sem abrir os olhos, percebi que a cidade não era minha, mas os estrondos das construções derrubadas ainda continuavam.
No sonho, eu também seria destruído, porque estava em minha cidade.
Acordado, não seria destruído em uma cidade que insiste em me colocar como estrangeiro, mas estava disposto a lutar por ela. Talvez seja um tipo de amor, ser fiel a quem te estranha.

Acordado, fui me acalmando da paixão de lutar: não eram bombas, mas alguma derrubada de entulho, não sei...


Agora, em minha cidade, esperava a familiaridade. Da cidade me vem uma indiferença fria e acolhedora. Mas, em casa, ainda sinto uma distância. As explosões no sonho realmente devem ter me destruído, se aqueles que me são familiares, me estranham, não me reconhecem.
Não deixa de ser um tipo de amor: calar-se e, como nas guerras, abdicar de si próprio, por sua casa, seu país.

O sonho me fez pensar com carinho em minha cidade. Mas essa cidade não é São Paulo, e a outra não é Manaus. Eu conhecia o caminho, mas não o encontro. A viagem não terminou. Não sei bem onde fica minha casa, minha cidade e meu país.




2 comentários:

  1. Todos os dias eu me sinto assim, e é horrível, mas ao mesmo tempo é bom. Ter certeza de tudo te dá um aspecto morto frente à vida.

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