sábado, 2 de janeiro de 2010

Passagem (2)

Comemorar a passagem, sim. Entre novos desconhecidos, ser reconhecido como amigo, como primo.

No momento (que momento é esse?) do ano novo, o céu se abriu, as nuvens deram espaço à Lua amazônica e um céu brilhante, explosivo e vivo. A Lua é a mesma, por toda parte, e nela, como por uma triangulação galileica, estava junto de quem eu estava só. Momento de apaziguar a saudade enorme, que viajou livremente por anos e quilômetros.

Ao mesmo tempo, sozinho de quem estava junto, tornei-me próximo. Um padre-nosso, um ave a Maria. E reconheceram-me, abraçamo-nos, demos as mãos. Um brinde pelo novo ano com aluá, bebida fermentada de abacaxi cozido.

Entre as mulheres e seus homens e suas crianças do alto Rio Negro, de São Gabriel, da Cabeça-do-Cachorro, comemoramos a entrada do ano. Eu, o paulista, e cada um deles, tukanos, dessanos, tatunos, taiucos.

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