terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

A morte do Pena Branca

Quem morre quando morre Pena Branca?

Morrem Xavantinho, o Cuitelinho,
Renato Teixeira, Almir Sater,
o Catullo da Paixão cearense.
Morre o sertão, a alegria e a tristeza.

Morre Inezita, morrem todas as violas
e todas as canções do mundo,
morre toda aquela gente que veio de Lisboa.
Morre o boi, a estrela, o fubá.

Morre o chiado das fitas cassete
morre o cheiro de mato e pó,
as estradas e os caminhos.
Morre Zé Rodrix, nossos irmãos e o Brasil.

Morre o Caliz Bento, a paixão, a fé,
o arroz, o milho, o peixe, o feijão,
o queijo, a rapadura, o cheiro do café, minha cidade e minha história.
Morre a história de minha família, meu avô e meu pai.
Morre o pintassilgo de meu avô, o pardal, o bem-te-vi.

Morrem as saudades, a luz branca, a roça
e toda espécie de cantoria.
O azul do céu se perde,
e também a vontade de viver.

Desaparece o antigo rádio e os ecos
de sons passados.

A morte do Pena Branca leva tudo consigo
e então devolve.
O momento é este: bem de longe do tempo de fora do espaço vem um vento forte e uma revoada de pássaros brancos. Cada pena (como podem ser tão leves?) traz todas as mortes, tudo o que desapareceu, todas as saudades e toda a vida que ainda (por quanto tempo?) tem espaço neste mundo.

Um comentário:

  1. filho, sua visão poética sobre este fato me comove e sensibiliza...tudo e todos que contribuíram para construir nossa identidade merecem nossa reverência...com amor, sua mãe katia

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