terça-feira, 30 de março de 2010

Inaugurando

Este blog só fala de desgraça e mais desgraça.

Inaugura-se aqui, portanto, uma fase densa e inebriante (claro... às vezes melancólica): felicidade.

E quer felicidade maior que um amor que dá errado, mas dá certo? E dá certo sem dar errado?

Um dia muito bom funciona assim: a gente olha e admira e sorri, e tem vontade de ficar junto, de cara grudada, na chuva, no trem cheio, e fica meio separado porque nem sempre dá nem quer ficar grudado assim.

Aí a gente pinta um muro, se suja de tinta, reclama com o Estado, procura se adequar e fala sobre um mundo que é difícil de entender. E pensa na gente mesmo, fica em dúvida sobre o melhor jeito de viver e se abre, se ataca e se defende e tenta não se machucar fazendo isso.

Também olha pro outro e lacrimeja de feliz, e acha tudo muito lindo demais, e na hora de comentar esquece que achou lindo de qualquer jeito e comenta o que tá inacabado e como fica melhor.

Dia bom é quando a gente faz uma cagada que, como diria Lévi-Strauss, é boa pra se pensar; e se testar. E dá um beijo, e conhece gente, e recebe presente, e dá presente. E é bom porque dá a impressão que as perguntas que incomodavam tanto talvez não devam ser perguntadas. O que a gente tem de comum é o que tá aí, sempre junto. Um futuro sem modelo, talvez? (Talvez aí já seja querer demais.) É bom um dia pra querer demais sem compromisso.


Eu sei que hoje fiquei vendo (e ajudando bem pouquinho) ela desenhar no muro. Enquanto isso, um Edson, que fomos conhecer depois, nos desenha, pra ensinar uma molecada a observar.

E a gente ganha o retrato de um dia muito bom, pra ninguém dizer que não existe razão.


(E o retrato, cadê? Por aí, depois mostro, se der.)

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