terça-feira, 1 de junho de 2010

Homofobia na Universidade de Brasília


O seguinte relato apareceu-me por email, através de um grupo yahoo chamado antropologiafeminista. As acusações são sérias e merecem republicação pelos meios possíveis. 

As palavras em negrito ao longo do relato foram colocadas por mim.


Peço que republique-se, se possível.

Yuri


VÍTIMA da AMEAÇA no beijaço/batucada na UnB


venho através desse e-mail me identificar como a vítima que sofreu a
ameça anônima pelo celular.
Não sei se houve ameaças a outras pessoas, mas acredito que não, não que eu tenha visto.


Não prestei depoimento para a SECOM ou qualquer outro jornal o que aconteceu, apesar de eu ter visto que vários registraram isso em suas respectivas matérias. Quando aconteceu, um dos jornalistas da SECOM estava presente e deve ter ouvido quando comentei com alguns/algumas amigxs.


*Estou aqui pra comprovar que a ameaça não é uma especulação e esclarecer o ocorrido.*
Acho importante tornar público o que aconteceu por vários motivos, mas principalmente para informar a todxs que
esse tipo de atitude NÃO é incomum e para nos sentirmos próximxs a um acontecimento desse nível. Além de que me sentirei mais segura compartilhando com todxs do que me esconder e fingir que nada aconteceu (inclusive, ouvi conselhos da importância em informar aos/às mais próximxs).

Recebi a
ligação durante o ato, logo depois da confusão com os meninos dos cartazes "orgulho hetero" (menos de 30 minutos depois). Ele estava transtornado, além dos diversos xingamentos pesados comentou que faz parte de um grupo e que ficariam de olho em mim na universidade, já que em algum momento eu ficarei sozinha, nem que seja pra ir ao banheiro, e daí eles adorariam cometer o  chamado ''estupro corretivo''.


Comentaram que como eu não posso identificá-los, eles estarão me rondando, descobrirão qual é o meu carro, acabarão com ele, além de que facilmente conseguirão o telefone da minha casa também, para me ameçar aos meus pais. Entre muitas outras coisas que ele comentou, após o estupro coletivo, me matará com pancadas.

Por mais que eu queira pensar que não passa de um trote para me intimidar, ele foi muito conciso, além de persistente.


*Ele me ligou de 12:51 (primeira ligação) às 00:08 (última ligação), sem parar, contabilizando 55 vezes *(nenhum número do qual ele me ligou repetiu uma vez, se quer. Veio, inclusive, com DDD de fora de Brasília).


*Deixou 3 mensagens na minha caixa postal, também.*

Na
comunidade da UnB rola um tópico chamado "homofobia vs churredes", onde estão localizados VÁRIOS comentários agressivos e homofóbicos, além de um fake que citou o meu nome inteiro. Após me identificarem, outros recados foram enviados comentando que eu sou louca, barraqueira (entre outros) e que eu deveria ser agredida. Infelizmente alguns comentários foram apagados, pois algumas pessoas deram uns toques de que ''trariam probleminhas judiciais".

Informo que estão personificando o movimento por conta da tomada de frente nas organizações e espaços de fala. Em uma das ligações comentaram sobre o meu amigo, Rodolfo Godoi. Em uma das ligações o garoto comentou: ''você é uma das lideranças, que eu vejo, e se acabarmos com você desmobilizaremos o movimento inteiro.
Cuidado, eu vou acabar com você (...)" Acredito que ele tenha conseguido o meu contato por conta da calourada da UnB.

Hoje a UnB *amanheceu* com uns cartazes colados nas paredes, entre eles: "Chega de manifestações, eu não vou te comer." Importante ressaltar que junto com os cartazes apareceu uma suástica pichada
no Centro de Valorização da Cultura Negra.


Estou tomando as devidas providências e coloco que TODA ajuda é bem-vinda.

Att,

Luana Gaudad.

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