terça-feira, 8 de junho de 2010

Reitoria Ocupada

Eu ia preparar um texto lembrando do 9 de junho de 2009, exato um ano atrás, em que a polícia, a mando do Conselho Universitário, invadiu a Cidade Universitária em São Paulo acuando e perseguindo estudantes, funcionários e professores que se manifestavam naquele dia.

Os relatos foram publicados aqui e podem ser lidos nos links a seguir.



Ocorre que hoje a Reitoria (o novo antigo prédio da Reitoria ou a ex-antiga Reitoria) foi ocupada por funcionários da USP. A ocupação foi uma ferramenta bastante usada e que centralizou e unificou reivindicações durante a greve de 2007, motivada pelos decretos do então governador José Serra. Naquela ocasião, a ocupação durou 51 dias e mobilizou uma série de atores diferentes, que passaram a inventar e experimentar novas formas de organização da vida naquela anti-estrutura (termo do antropólogo Victor Turner). Digo isso porque fui um dos jovens alunos que participou daquela ocupação e realizou um estudo, ou um exercicio de análise, sobre a situação junto ao NAU - Núcleo de Antropologia Urbana da USP. O trabalho, intitulado Etnografia da Ocupação, ainda não foi publicado, pela necessidade de um bom tratamento dos dados, colhidos e analisados por recém-ingressos na faculdade. 

Tenho então uma visão e tive uma participação ambígua naquela ocupação: por um lado, defendia certas palavras de ordem, mantinha a ocupação, votava em assembléias, por outro, procurava reconhecer os discursos conflitantes e geralmente não alinhados com o meu pensamento. Isso gerou alguns conflitos lá dentro. E fomos chamados tanto de fura-greves, pelegos e acadêmicos quanto fomos procurados para, com o nosso trabalho, aumentar a divulgação e a auto reflexão do movimento.


Ainda não pude visitar essa nova Ocupação e vou fazê-la com um misto de sentimentos. Vou procurar academicamente, sensívelmente, afetivamente, politicamente, relações com a ocupação de 2007 e com a tentativa de ocupar novamente no ano passado. Vamos ver o que eu organizo disso tudo e como me porto diante disso.

A princípio, antes de qualquer coisa, tenho um temor muito grande. Movimentos sociais são geralmente massacrados pela polícia (com excessão talvez daquela passeata contra a zona azul em um bairro de classe alta). E se uma manifestação menor no ano passado gerou aquela resposta e se a falta de reação mais dura fez com que a primeira ocupação durasse 50 dias, vamos ver como se portam os donos do poder frente a esse novo movimento.

Os donos do poder? Governador Goldman, Reitor Rodas, Vampiro Serra. Daí vem meu temor. Essa gente vai colocar a polícia atrás de qualquer um que atrapalhar seus planos...

4 comentários:

  1. Ainda nem terminei de ler, mas: como podem colocar "acadêmicos" no mesmo grupo de "pelegos" e "fura-greves"? Não me diga que agora academia é consideramo um mal por princípio?

    ResponderExcluir
  2. Lobz, para um grupo de pessoas, a acadêmia (burguesa) é um mal por princípio sim. Se a academia faz uma ciência burguesa, isso é, não libertadora, não revolucionária, não pragmática, produtivista e ligada às estruturas do poder burocrático, a academia é um mal. Uma frase no bandejão central diz: ¨A universidade só iluminará o povo quando arder em chamas¨, ou coisa do tipo.

    Não é um pensamento incompreensível...

    ResponderExcluir