sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Um arquivo

Onde está você
Se o sol morrendo te escondeu?
Onde ouvir você
Se a tua voz a chuva apagou? 

(Oscar Castro Neves e Luvercy Fiorini)

Que é isso que se faz por aqui? Que é isso que eu escolho mostrar, arquivar?

Há sei lá quantos anos, mantenho um arquivo de mim mesmo, uma coleção de imagens, recortes de jornal, pedaços de vida, mortes. O que é isso que vai sobrar, em bits, em pixels, em qualquer lugar?

E se eu sumir e se for esquecido, e se não for? E se alguém encontrar tudo isso no lixo, em algum canto esquisito da internet, quando tudo já for obsoleto e velhaco?

Acho que é justamente por isso que mantenho isso vivo, às vezes capenga, outras ativo. É pra que em algum momento alguém se apaixone. Essa pessoa, um escafandrista ou um astronauta, vai encontrar todos esses recortes, vai pensar nas coisas que eu pensei, e na ordem instável deste arquivo bizarro. E quem sabe, encontre em outros lugares meus cadernos, as músicas que cantei e as danças que fiz quando ninguém olhava. Se encontrar, vai reconhecer sobre o que silenciei, sobre o não dito, sobre os ciúmes doentios, sobre a vergonha escondida? E terá noção que ainda assim, mantive silêncio sobre o silêncio e sobre o silêncio?

Esse escafandrista (ou astronauta)... será que vai ser outra pessoa que eu mesmo? E será que esse arquivo ainda dirá sobre mim? Ou será que quando me tornar memória serei apenas personagem daquele que me encontrar?

Hoje a noite não tem luar, tenho sede, ouço uma música triste e quero minha amiga comigo.
Amanhã, depois que isto terminar, hoje ainda terá sido assim?

2 comentários:

  1. é bem provavel que não...
    qnd dói isso pode ser bom, pq a gente esquece d como era dor. mas pra mim parece meio injusto e eu não vou repetir de novo o porquê

    imagino q a aula da fernanda t fez pensar nisso... na verdd qnd tinha cadernos e papeis e mais papeis escritos sobre a minha vida eu sonhava q alguem um dia ia encontrar e ia se apaixonar e ia entender td o q eu fui, e tds os problemas e td dor, e ia querer publicar um livro meio q eternizando td o q foi.... mas hj em dia nem eu msm tenho acesso as minhas memórias...

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